Blog do Thiago com Textos disso e daquilo. Comentários seus já são mais que bem vindos

No futuro

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Pobres daqueles que só pensam no futuro, terão a alma devastada mais cedo.

Bem que Newton tentou avisar.

da Mente.

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Estamos todos perdidos no mundo, mas mesmo assim há pessoas que acreditam ter encontrado o caminho de suas vidas, como se fosse apenas mais uma gota na onda de um mar, seguindo seu caminho certo e decidido, sem nada que possam fazer. E por mais incrível - e medíocre - que possa parecer, elas estão felizes e saltitantes em sua droga de vida feliz e de pouca influência.

E enquanto essas pessoas estão lá vivendo suas vidinhas, pensamos que queremos encontrar alguém, e que há tantos casais juntos nesse momento, no fogo da mais profunda paixão, fazendo amor em uma cama de casal com 2 colchões, bem confortáveis, se divertindo. E tu notas que isso é o que tu quer, amor, és frágil de mais para não amar.

As pessoas caminham sem rumo neste mundo de incertezas, enquanto parece que só tu consegues ver o que está acontecendo de verdade, mas a insanidade da tua mente não te permite dizer a eles o que estão realmente fazendo - ou deixando de fazer . Mas quer saber? Eles não acreditariam e agora tu te flagras querendo que eles queimem no fogo do inferno.

O futuro está ali na esquina rolando seus dados, sorteando o azar, enquanto nós aqui sentados nas nossas cadeiras esperamos que ele nos foda por total... deprimente...

O que te torna tão especial:

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- Hey, babe
- Oi meu querido
- Como foi o dia?
- Exaustivo, estou cansada, sem forças para quase nada, só quero dormir
- Ah, estou com o maior tesão, tá afim de dar umazinha?
- Claro, só se for agora!

Ferida

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Era uma vez um menino que teve o braço cortado pela menina que ele amava

aquela ferida foi além da carne, no coração

Por sorte o braço dele sarou depois...

Tuas entranhas

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Eu não recebi as notícias.
estou alheio a ti.
Mas ainda assim, mesmo vazia,
quero festejar em tuas entranhas,
E que me leve ao paraíso de uma vez!
Não espero por mais que for.

Deixe o piano tocar os acordes,
enquanto me esquento em ti
na gelada madrugada.
que se façam as tristezas depois
Quando estiver eu sozinho a rimar,
para te agradar denovo.

Deixe-se conquistar,
o impulso,
a fera indomável
que já anseio
por acaríciar denovo
e denovo...

E que eu me perca aqui fora
despedaçado, fora do meu santuário
se mais uma vez eu poder
sentir tuas entranhas
quentes...

Aulas...

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Estávamos nós quatro juntos, enquanto a velhaca explicava Estêvão. Ninguém parecia prestar muita atenção, mas ainda assim ela não reclamava, pois estavam em silêncio. Foi horrível tentar me concentrar, passei a manhã inteira com meu pensamento preso... maldita, mas ao mesmo tempo me sentia tão... vazio, sem algo para oferecer.
Fiquei pensando e pensando, sem saber o que realmente era aquilo. Então só uma palavra conseguiu me vir na cabeça: Refúgio. Talvez não eu, mas a humanidade inteira está procurando um refúgio constantemente, só pode ser isso, não sou tão anormal assim, cara. "Mas que coisa, como somos medíocres" pensei, e talvez sejamos mesmo, não somos nem metade do grão de areia no Saara.
Já eram nove e meia, e eu só pensava em um sofá marrom, eu e ela. A velhaca continuava falando, as pessoas reduziram-se à sua mediocridade e ficaram quietas, exceto os 3 que estavam comigo. Era como nadar contra a maré, pensei, não seguir o padrão e se dar mal em português porque quer. "Minha cabeça está funcionando hoje", disse para mim mesmo, nunca estive tão filosófico, e ainda assim... vazio...
Então um deles me disse: "Thiago, tu é um Jogral". Poderia ter sido de brincadeira, sem a intenção, mas por aquele breve momento ela me saiu do pensamento, e me invadiu a idéia de sair pelas ruas cantando para as pessoas, para os mais ricos, em troca de estadia. Que vida cheia de felicidade, transar com a mulher do cara que te hospeda, deve ser o máximo. Minha mente já estava começando a gostar da idéia, quando me privei da mesma. Chega das doces utopias, elas já me encheram tanto quanto a nada bela realidade.
Então eu tentei me concentrar, com um exercício, mas ela me continuou na cabeça, e está até agora, as paixões antigas que se acendem tem um sabor a mais.

"Talvez algum dia todos encontremos nosso refúgio, e sejamos os jograis do nosso próprio coração"

Blind Guardian - Nightfall in the Middle-Earth

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Desde o roubo das silmarils, até a despedida dos eldar, este CD narra todo o silmarillion com toda a fineza musical e incríveis letras complexas que fazem qualquer um refletir.

Com solos bem elaborados e algumas músicas com corais. Em uma música, eles se dão o direito de cortar fora tudo e deixar apenas Hansi e o Piano. "The Eldar" é á música, melancólicamente perfeita, cheia de sentimento.

Muitos clássicos vieram desse CD. Quem já ouviu um EP deles, ou teve o privilégio de ir em um show deles sabe que sempre começa com War of Wrath, a última conversa de Melkor e Sauron. Falando nisso, "O Silmarillion" é ótimo e recomendo muito a leitura. Algumas faixas do CD só podem ser entendidas se o livro for lido, como a faixa "Lammoth"

Pode não ser tão Power Metal quanto o primeiro CD deles, mas é indispensável na sua playlist se tu realmente gosta de power metal.


1 - War of Wrath - 1:50
2 - Into the Storm - 4:24
3 - Lammoth - 0:28
4 - Nightfall - 5:34
5 - The Minstrel - 0:32
6 - The Curse of Fëanor - 5:41
7 - Captured - 0:26
8 - Blood Tears - 5:23
9 - Mirror Mirror - 5:07
10 - Face the Truth - 0:24
11 - Noldor (Dead Winter Reigns) - 6:51
12 - Battle of Sudden Flame - 0:44
13 - Time Stands Still (At the Iron Hill) - 4:53
14 - The Dark Elf - 0:23
15 - Thorn - 6:18
16 - The Eldar - 3:39
17 - Nom the Wise - 0:33
18 - When Sorrow Sang - 4:25
19 - Out on the Water - 0:44
20 - The Steadfast - 0:21
21 - A Dark Passage - 6:01
22 - Final Chapter (Thus Ends...) - 0:48

http://www.4shared.com/dir/2918490/829278a8/Blind_Guardian_-_Nightfall_in_Midlle-Earth.html
senha: www.juh.beatriz.zip.net

Link Roubado da comunidade Blind Guardian Files

Estrelas

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Na calada da noite... sozinho
olhando para as nuvens.
Pensamentos que passam
rápidos,
nem os noto.

Meus pensamentos curiosos
que passam pelos mundos
dos sentimentos.
experimentando de tudo.
Desde a dor plena,
até à paixão ardente.

Celebro minha solidão
olhando para as estrelas
distantes, sozinhas.
E aqueles que um dia já amaram
irão me acompanhar,
na calada da noite.

Reconfortante sensação
que ela me passa,enquanto olho
para as estrelas.

Ah, estrelas.
Me invejem!
Me invejem sim,
pois reclusas em seus cantos
jamais irão experimentar minha dor.

O fim do Romantismo

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O novo século veio decretando muitas coisas úteis para o ser humano ficar atualizado e dentro da moda, mas decretou de forma mais conveniente possível para as massas, o fim do romantismo. Foi realmente super conveniente o modo que o antigo modo de amar foi completamente degolado e enterrado sem menor piedade, em troca de sexo fácil e falta de confiança.


Tá bom, eu poderia simplesmente fechar isso e ir para uma festa com umas "roupas legais" e passar o rodo, mas quando eu quiser algo sério vou ter crises existênciais capazes de darem dor de cabeça em Freud. Esqueça aquele vinho com a luz das velas, Beethoven ao fundo, baixinho, com cobertor de ovelha, junto de sua amada no seu belo sofá branco de couro. Isso, daqui pra frente, você só vê em propaganda do Zaffari. O cardápio do novo século tem para oferecer tudo, menos esta empatia. Amor não serve mais para sentir, não serve mais para confiar em alguém. Serve para dar uma saída no Shopping, chegar em casa e ir correndo para o MSN ou telefone se garantir com mais uma, ou mais um.


Foram-se os tempos do amor, e pode ser irônico eu estar escrevendo isto com meus nada experienciados 15 anos, mas, não me comparando com Shakespeare, é claro, sou um romantista fora de época. Tá bom, odiaria viver sem computador, e tudo mais, mas o fato das mulheres serem conquistadas por roupas e colares de prata, deixam qualquer romantista para baixo.




"Quer romance, vá ler livro!" Seja lá quem foi que fez essa frase, espero que esteja vivo para colher os Frutos...

Master of Reality - Black Sabbath

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O que pode se esperar de um CD de uma das bandas criadoras do Heavy Metal, sendo que eles decidiram fazer um CD pesado?
Master of Reality é a resposta, começando com a tosse de uma tragada de um cigarro de maconha de Tony, e terminando com uma super música que te leva para dentro do mundo psicodélico que eles expressam na música e em todo o CD.

Contando também com músicas que falam de Deus (surpreenda-se: Não contra ele!) e com uma balada tão louca e melancólica ao mesmo tempo que é capaz de deixar qualquer um em uma transe espiritual.

Geezer Butler simplesmente arrasa nas letras malucas e críticas deste CD, que variam de assuntos mundanos, como a maconha, até Deus. Sem contar a Ótima crítica social que 'Children of the Grave' passa. Se conseguirem ver o clipe ao vivo de 'Children of the Grave' da época do Jam Session (1972), não percam! Tony sem bigode é algo único!

Bill Ward, como sempre, esmurrando a bateria como se fosse espancar alguém. Simplesmente, parece que um frenesi o consome na faixas mais pesadas deste CD, como "Sweat Leaf". Ele teve o Dom de fazer as músicas ficarem realmente PESADAS!

Set list:

1 - "Sweet Leaf" - 5:05
2 - "After Forever" - 5:26
3 - "Embryo" - 0:28
4 - "Children of the Grave" - 5:17
5 - "Orchid" - 1:31
6 - "Lord of this World" - 5:26
7 - "Solitude" - 5:02
8 - "Into the Void" - 6:1


http://www.4shared.com/file/12573442/77fc7d7b/1971_-_Master_Of_Reality.html?s=1

Relato vampírico

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Dorme teu sono mulher,
inocente, intocáda...
Dorme teu sono, protegida.
Em meus braços
não cairá por esta noite.
Não haverão muros
que irão me impedir,
no badalar da meia noite,
na noite fria e abstrata.

Dorme teu sono mulher.
Entra no teu santuário,
onde minhas garras
são impotentes.
e meus dentes
inocentes.

Dorme teu sono mulher.
Tola.
Sem saber
que posso te dar o prazer de uma vida
em uma simples mordida

Sinaleira.

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O carro parou na sinaleira.
Eu estava com pressa, atrasado, e a sinaleira não ficaria verde nunca, pelo visto.
Olhei para o lado, com a habitual pressa de uma vida enterrada por suas obrigações, e inesperávelmente, vi ela, na frente do volante de um carro. Não se lembraria de mim.
Com seus lindos cabelos, com seu porte majestoso. Ela continuava igual... inesquecivelmente linda. Fiquei pensando em como éramos próximos, como nos amávamos, das madrugadas que passamos trocando segredos e como confiávamos um no outro. Também me lembrei como seríamos felizes, se ela tivesse dito sim aquela vez. Formariamos uma familha feliz, nos amariamos ardentemente, como se cada noite de amor fosse a primeira, onde o fogo da paixão ainda queima os cegos corações indefesos. Por aqueles breves segundos, esqueci da minha pressa, dos meus compromissos, de tudo. Apenas podia ver ela, em todo seu radiar, com aquele batom posto cuidadosamente nos cantos da boca, que eu já ansiava por beijar, provar de seu gosto ao menos uma vez. Eu seguraria sua mão todas as noites, e daria cada beijo como se fosse o último e mais apaixonado. Imaginei nós em um ardente beijo. Aquele que sempre quis, e que sempre vou querer. Naquele momento, tudo que eu queria ouvir, era ela dizendo 'eu te amo', com o coração que nunca tive... o dela.
Então acordei de meu torpor com a buzina do carro atrás de mim. Meus breves segundos de paraídos haviam acabado. Ela virou a esquina, e eu nunca mais a vi...

Um homem, uma viola... uma mulher

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Pelo mundo a vagar.
Apenas com minha viola,
tento, com romance acalmar
o coração da rapazola.

Pelos verdejantes campos,
vendo o mundo com o coração
Procurando entre os ramos,
Algum que mereça ver sua feição .

Nas mais belas canções,
sozinho, com meu violão
expresso minhas emoções,
por nunca ter esquecido minha paixão.

Quando em meu destino chegar,
hei de vagar por qualquer ruela,
tentando, entre elas, encontrar,
a face de minha donzela.

Dois poemas sutis.

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Quem dera eu fosse um livro,
para ser tão interessante.
Quem dera eu fosse um livro,
para ser útil.
Quem dera eu fosse um livro,
para passar pela mão de todos


O que eu me tornei?

Mediante à este tempo,
sinto-me gelado por dentro.
Sem algum conteúdo,
sem alguma conclusão,
para meu triste começo.

Quem dera eu fosse um livro,
para não lembrar de ti.
Quem dera eu fosse um livro,
para não machucar os outros.
Quem dera eu fosse um livro,
para não me iludir com minhas miragens
Quem dera eu fosse um livro,
para não ter sentimentos.

Eu me lembro,
eu me lembro de tudo.
Ainda estou ao seu lado.
Esperando para acordar de meu torpor.
Acordar, da intensa noite de amor.

Quem dera eu fosse um livro,
para que as pessoas me descobrissem,
desvendassem,
e me esquececem na semana que vem...

Semi-Gordos.

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Os semi-gordos sempre foram criaturas peculiares e intrigantes. São aqueles que não tiveram força o suficiente para virarem gordos, e nem colhões para fazerem dietas e se tornarem magros. Podem ser definidos como o 'intermédio' entre gordo e magro, ou também 'o lado cinza da força'. Não fedem nem cheiram, ninguém comenta 'Olhe a semi-gordesa da pessoa ali!'. Semi-gordos só são lembrados quando os gordos têm ataques de inveja, ou quando os magros deixam o orgulho subir à cabeça.
Deve haver um planeta, onde os semi-gordos coexistem sem problemas, não causando a discórida onde quer que passem. Este planeta, por sua vez, não é um planeta comum. Ele não tem balanças. Semi-gordos não sabem o que é engordar... nem emagrecer. E os alimentos por lá devem ser bem mais gostosos.
- Sai uma pizza com bacon extra!
- Mas e o colesterol?! E a gordura?!
- Que? Do que tu estás falando?
- Perdão, eu estive na terra por uns tempos... negócios, sabe...
Acredita-se que os coacervados eram semi-gordos, na verdade, logo, um dia, eles proclamarão sua hierarquia e dominarão a terra. Depois disso, implantaram um regime a base de comidas gostosas, que vai exterminar com os 'fracos', algo como um holocausto... à base de sorvete e pizza.
A maioria (entenda-se: todos) dos semi-gordos são come e não engorda. O que é come e não engorda? Simples, eles comem e não engordam. Por isso, estão, desde que se tornaram semi-gordos, com o mesmo peso. Causando inveja nos gordos... e magros.

Acho que vou parar de escrever, comer uma trufa, digo... não posso comer mais uma trufa... malditos semi-gordos...

Um Poema

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Achei uma poesia,
perdida na minha mente.
um poema diferente,
sem palavras.
Sem sentido aparente.

Achei que sabia de tudo,
inconformação,
por imperfeição.
Perdoai minhas palavras
de mortal.

Ao fim,
achei a poesia.
Hei de eternizá-la
já que de uma vez por todas,
hei de decifrá-la

Canção do Trovador

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Certa noite, o trovador entoou uma canção, em uma fogueira, às margens do rio, em uma noite de inverno.

Nas águas do lago
lembro da face da minha amada
mas recordo-me do sabor amargo
que dela, me obriguei a separar

Da neve branca,
sua face, intocável.
Que a lua tateava com seus raios,
nas noites de estrelas viçosas.

Das florestas verdajantes,
de encanto singular,
dislumbrante é sua forma,
inesquecível é seu brilho.

Dar-te-ia a mão, donzela,
para acompanharte em noites de amor,
se não fosse minha vocação
de ser o trovador

A Odisséia (II)

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*Se ainda não leu o Post abaixo, leia, é o começo! (A Odisséia 1)*

Estava desempregado, sozinho, abandonado, desabrigado, com fome e com frio, nas ruas de porto alegre.
Já não era mais humano, menos aceitável do que era, vagou sozinho por meses, comendo migalhas, emagreceu muito. Pensando em apenas versos, cambaleava depois de tantos espancos que sofreu de policiais e bandidos.

'Morram todos,
Envenenados com suas mentiras
Aumentando seus egos gordos'

Passou a pronunciar este verso diariamente, todo o tempo, não importando se alguém o estava ouvindo ou não, pois ele não via mais gente, via apenas os desgraçados que o excluiram, deixando-o naquela situação, totalmente morto por dentro, e quase morto por fora.
Seus cabelos fediam, ninguém parava do seu lado, nem mesmo os mendigos, pois o viam com um outro olhar, achavam-no louco, até demais para eles.
O homem então, tentou sair do centro da cidade, mas o resultado foi o mesmo, as pessoas fechavam suas portas para o pobre homem, que quase morto implorava por um punhado de comida para agüentar suas surras diárias.
O frustrado poeta não viu outra solução a não ser o suicídio. Sempre fora um homem covarde, sem coragem de encarar os problemas de frente, sempre se escorando nos desconhecidos, jogando a culpa neles. E quando não podia fazer isto, simplesmente fugia por uns dias, ficava andando nas ruas, por isso as conhecia tão bem. Mas no estado que ele estava, não havia pior castigo que a vida. Suicídio, estava decidido.
Caminhou até um prédio bem alto, e começou a subir sua escadaria. Cada passo mais pesado que o céu, fazendo pressão contra o chão. Cheio de pesares, o pobre poeta sentia-se cada vez mais feliz, mais perto do fim das escadas, pensando que finalmente iria descansar do seu castigo, para sempre.
Chegou até o topo do prédio, e pronunciou.

'Este é o fim,
Com pesar, me matarei
Para descansar enfim.'

Então o homem teve seu digno descanso eterno.

A Odisséia. (I)

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'Não acredito que a vida seja um morango', resmungava o homem, ao andar pelo centro de Porto Alegre numa tarde fria. 'O que diabos essas pessoas vêem de bom na vida?' - pensou, entre outros tipos de resmungos -.
Na verdade, o homem foi assim por nunca ter tido amor. Por ter alimentado dentro de si um ódio mortal pelas pessoas, depois que fora abandonado na juventude. Vivia de bicos, num apartamento apertado. Havia tido um caso a muito tempo, mas não deu certo, a mulher o achou muito nojento. Falava alto demais, com uma voz incrívelmente fina, levando em conta à sua estatura, relativamente pequena.
Ultimamente, as coisas não andavam muito bem para ele, que perdera seu emprego, estando prestes a ser despejado de seu apartamento.
Acreditava ser poeta, riscava tudo que podia. Passoupela praça da Alfândega. Lembrou-se de quando era uma praça de renome, quando viu Mário caminhar por ali. Então rabiscou no banco, um verso:

'Os profetas uma vez disseram,
que o fim do mundo estava por vir.
Em material, ainda não acabaram,
mas em coração dá para sentir'

'Ach, um dia serei publicado...' disse o homem, secando seu ranho com a manga, estava gripado para piorar a situação.
Não agüentava ver o mundo como era, queria mudar, segundo ele, Na verdade, queria mudar apenas seu mundinho partícular. Queria ser rico, um poeta famoso, e não um pé-rapado, sem dinheiro.
Continuou caminhando, foi até a entrada do centro de Porto Alegre, e viu aquelas pixações nas paredes, de anarquismo, contra os políticos, chamando-os de porcos.
Idiotas - Logo pensou - Mas depois prontificou-se a tirar sua caneta do bolso para rabiscar na parede outro verso.

'Revolução, revolução!
Melhoria radical, felicidade.
Mas na verdade,
Pura destruição'

'Hei de ser publicado!' disse mais uma vez, antes de dirigir-se para casa, tinha que ver se tinha pão, senão passaria o dia sem comer.

Me congelar.

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Sonho com ela denovo, terceira vez seguida, acho que estou ficando paranóico. Será que a vida está me matando assim? Preciso me esfriar, me congelar. O sol está ficando quente demais pra mim. Ela está me queimando por dentro. Saio... e penso:

-

Sinto que vou cair,
sinto que vou trombar.
Não consigo me livrar disso.
Meus olhos já ficaram cegos.
Estou sendo lentamente consumido.
É tarde demais para mim escapar agora.
Me perdi no labirinto particular dela.

-

Não quero mais pensar em curtir
só quero fugir.
Ela está dançando no fogo,
está gostando do que está fazendo.
O prazer me toma conta.

-

MALDITA!

-

Não!
Não posso, nem devo.
Não vou me viciar denovo.
Quero aquele monstro longe da minha mente
Preciso me esfriar
me congelar.
Não quero que ela me mate,
com sua dança sensual.

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